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Papa Francisco: um lobo em pele de cordeiro

Em visita à Bolívia o papa Francisco mostrou que a igreja católica aceita servilmente a desonrosa função de oferecer o respaldo moral aos movimentos de esquerda. Nunca é demais dizer que movimentos revolucionários de esquerda foram responsáveis por mais de 100 milhões de mortes [1]. Nem mesmo o número de vítimas do nazismo e até mesmo o das duas guerras mundiais somadas ultrapassa esta marca. O comunismo foi responsável pelo maior genocídio de sua própria população em tempos de paz. Aonde quer que este regime tenha sido implantado o controle da população foi executado com o derramamento de sangue dos seus opositores.

Quem quer que tente minimizar os crimes do comunismo ou é um ignorante no sentido stricto senso da palavra ou é um mau caráter de sanha totalitária. Qualquer que seja o caso, o benefício da dúvida não cabe a um chefe de Estado ou, pior ainda, a um líder religioso, principalmente quando esta religião é um dos pilares de resistência ao comunismo.

Toda a civilização ocidental – a qual o comunismo quer ver destruída – é fundada no tripé filosofia grega, direito romano e moral judaico-cristã. Sem esses três elementos complementares a civilização ocidental é apenas um castelo de areia prestes a ruir.

É sabido que a Organização das Nações Unidas age a serviço da elite global revolucionária, substituindo a educação clássica por formas de manipulação e indução do comportamento [2]. O caso foi muito bem documentado por Pascal Bernardin no livro Maquiavel Pedagogo ou o Ministério da Reforma Psicológica (Vide Editorial, 2012). Quando o relativismo moral substitui a busca da verdade nada mais pode ser mensurado em termos de valores nobres e elevados, tão caros à filosofia grega. Daí a defender a extinção de um grupo étnico ou opositores ideológicos é um passo muito curto.

Quanto ao segundo fundamento básico da civilização ocidental, o direito romano, estamos acompanhando uma escalada com inclinação à esquerda em todos os países de orientação marxista. Não é ao acaso que no julgamento do mensalão apenas o núcleo econômico tenha sido punido com severidade enquanto o núcleo político recebia penas desproporcionalmente brandas. Quando all animals are equal, but some animals are more equal than others [3] a fronteira legal da isonomia é apagada.

Se por um lado os dois primeiros elementos – educação clássica e sistema jurídico – estão subordinados ao controle do Estado ao menos o terceiro deles – moral judaico-cristã – não o deveria ser, até pela noção de laicidade do Estado. Assim, quando o papa que, diga-se de passagem, deveria representar a primeira frente de batalha contra o comunismo diz “amém” à esquerda internacional tal ato é um tapa na cara de todo cristão sério (ou mesmo o liberal-conservador que tem ojeriza ao totalitarismo comunista).

Desde 1949 a igreja católica condena à excomunhão automática todo católico que preste apoio consciente a partidos ou governos comunistas. Na condição de chefe da igreja católica o Sr. Jorge Mario Bergoglio não tem o direito de conceder concessões ao regime mais perverso da humanidade. No entanto, ele não só o fez como ampliou o repertório de humilhações do mundo civilizado ao barbarismo do exército revolucionário a soldo do Foro de São Paulo [4].

A sucessão dos eventos durante a viagem à Bolívia e a falta de respostas adequadas não deixam dúvidas: o papa em exercício é um agente do movimento revolucionário infiltrado no coração da igreja católica e, como tal, deve ser exposto à exaustão como um traidor dos valores judaico-cristão.

Apenas para ilustrar a dimensão da contribuição da moral religiosa no mundo ocidental é preciso lembrar que tanto o movimento abolicionista [5] quanto à valorização da vida como um dom sagrado [6] surgiu, em primeiro lugar, no seio da igreja católica. A moral judaico-cristã não trata da crença em si, mas do respeito mútuo às liberdades individuais – inclusive a de não acreditar na doutrina religiosa.

Fosse o papa Francisco um legítimo representante da igreja católica este deveria ter rejeitado o presente do presidente da Bolívia (uma cruz em formato de foice e martelo, símbolo máximo do comunismo) e aproveitado a ocasião para criar um clima de constrangimento internacional. Ao invés de colar o rótulo de excomungado em Evo Morales e, de quebra, expor as atrocidades do comunismo na América Latina, o papa alegremente aceitou a ofensa e a propaganda gratuita do movimento revolucionário. Nada mais asqueroso para um líder religioso.

Nem mesmo o precedente de ataques de Evo Morales à igreja gerou um mínimo de suspeita quanto ao incidente. No passado o presidente boliviano declarou que “a igreja católica é um símbolo do colonialismo europeu e, portanto, deve desaparecer da Bolívia”.

A sagacidade da esquerda contrasta com a omissão do líder religioso. Morales foi além: de um só golpe fez do papa o garoto propaganda de uma ideologia totalitária reciclando-a ao associar o comunismo à imagem de desapego do franciscano, ao chamá-lo de o “papa dos pobres”. Quem não se lembra do mesmo expediente usado pela esquerda ao vender Lula como “o homem do povo”? Isso sem falar em forças progressistas promotoras da igualdade entre os gêneros, raças ou orientações sexuais para eleger, respectivamente, Dilma, Obama ou Jean Wyllys.

Do lado católico não observou-se nenhuma reação. Muito pelo contrário, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, apressou-se em declarar que o “padre jesuíta Luis Espinal projetou o crucifixo como símbolo do diálogo e de compromisso com a liberdade e o progresso na Bolívia, sem qualquer ideologia particular.”

É desnecessário dizer que isso é uma mentira sem tamanho. Ora, se o artista optou por usar o símbolo comunista a ideologia já está identificada, ainda que o interlocutor a negue. Assim como a cruz é um símbolo do cristianismo foice e martelo representam a concepção clássica marxista da ditadura do proletariado.

Mas se a Santa Sé tenta dissimular o episódio o jesuíta Xavier Albo, um dos amigos do artista que produziu a cruz comunista, admite que “a intenção de Espinal era que a igreja estivesse em diálogo com o marxismo”.

E de fato este “diálogo” produziu raízes profundas na igreja católica. A Teologia da Libertação nada mais é do que marxismo disfarçado de doutrina católica. Sob o pretexto de evangelizar propaga-se a marcha socialista [7]. O culto ao Deus Estado é tão absurdo que Leonardo Boff, um dos maiores nomes da Teologia da Libertação nacional, chegou a afirmar que:

“Esta constelação anti-popular e até anti-Brasil suscita, nutre e difunde ódio ao PT como expressão do ódio contra aqueles que Jesus chamou de ‘meus irmãos e irmãs menores’, os humilhados e ofendidos de nosso pais. Como teólogo me pergunto angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos. Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? O que ensinaram as muitas Universidades Católicas e as centenas de escolas cristãs para permitirem surgir esse movimento blasfemo, pois, atinge o próprio Deus que é amor e compaixão e que tomou partido pelos que gritam por vida e por justiça?”

Ora, se rejeitar o PT (ou qualquer partido revolucionário) é, nas palavras de Boff, um movimento blasfemo então o próprio Deus foi retirado do centro da doutrina católica para, em seu lugar, ser ocupado pelo… PT!

Há muito que os métodos da Teologia da Libertação foram mapeados como ferramenta do comunismo. A título de ilustração o padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr expõe a fraude:

Como bom propagandista do comunismo o serviço não estaria completo sem uma crítica aberta ao livre mercado. O Papa Francisco criticou o sistema econômico baseado meramente no lucro do capital e a cultura do desperdício. Cinicamente disse que todos têm um dever moral de ajudar aos pobres e criticou o que classificou como a “lógica que busca transformar tudo em objeto de troca”.

Basta ao papa explicar como o capitalismo melhora o padrão de vida das pessoas enquanto que no socialismo todos são igualmente pobres. Ao propor tamanho disparate o papa Francisco escarnece de todas as vítimas da ditadura cubana que se lançam ao mar para fugir da condição de miséria imposta pelos irmãos Castro ou mesmo de quem sofre com a falta de bens de consumo básico como papel higiênico na Venezuela.

A cereja no bolo foi reservada para o grand finale. O papa Francisco afirmou que “reclusão não é o mesmo que exclusão” ao criticar o sistema carcerário boliviano declarando que “a reclusão forma parte de um processo de reinserção na sociedade. São muitos os elementos que jogam contra este lugar. Sei muito bem: a superlotação, a lentidão da Justiça, a falta de terapia ocupacional e de políticas de reabilitação, a violência e a falta de facilidade de estudos universitários, pelo qual faz necessária uma rápida e eficaz aliança interinstitucional para encontrar respostas”. Não é necessário dizer que nenhuma palavra de pesar foi dirigida às famílias que foram vítimas desta escória da humanidade.

Com um papa como esse resta ao católico apenas a desobediência civil.

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Notas:

[1] COURTOIS, Stephane et al. O livro negro do comunismo: crimes, terror e repressão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

[2] O estudo feito a partir de documentos oficiais da própria UNESCO pretende mostrar detalhadamente que o objetivo prioritário da escola moderna não é mais possibilitar aos alunos uma formação intelectual e muito menos fazê-los adquirir conhecimentos elementares. O que se pretende com a redefinição do papel da escola é torná-la nada mais do que o instrumento de uma revolução cultural e ética destinada a modificar os valores, as atitudes e os comportamentos das pessoas em escala mundial.

No Brasil o resultado dessa engenharia social resultou em cerca de 50% de analfabetismo funcional entre os universitários: http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/t/edicoes/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/

[3] ORWELL, George. A revolução dos bichos. Companhia das Letras, 2007.

A despeito do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 em que “todos são iguais perante a lei” a citação de que todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros é um flagrante de beneficiamento explícito de uns em detrimento de outros. Equivoca-se quem considera que dentro do socialismo busca-se a igualdade. Na verdade este regime vale-se de meias verdades para justificar o injustificável, vide o sistema de cotas universitárias.

[4] O Foro de São Paulo é uma associação de partidos políticos latino-americanos e organizações criminosas como os narco-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e os sequestradores chilenos do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) com o objetivo de ser a coordenação estratégica da esquerda na América Latina. Maiores detalhes sobre o Foro de São Paulo podem ser conferidos no excelente artigo intitulado “Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil” de Felipe Moura Brasil.

[5] O clima do movimento abolicionista internacional foi registrado por Joaquim Nabuco com duras críticas ao clero da época que, a exemplo de tudo na sociedade brasileira, reage às ideias com o típico atraso da preguiça nacional.

“Em outros países, a propaganda da emancipação foi um movimento religioso, pregado do púlpito, sustentando com fervor pelas diferentes igrejas e comunhões religiosas. Entre nós, o movimento abolicionista nada deve, infelizmente, à Igreja do Estado; pelo contrário, a posse de homens e mulheres pelos conventos e por todo o clero secular desmoralizou inteiramente o sentimento religiosos de senhores e escravos. No sacerdote, estes não viam senão um homem que os podia comprar, e aqueles a última pessoa que se lembraria de acusá-los. A deserção, pelo nosso clero, do posto que o Evangelho lhe marcou, foi a mais vergonhosa possível: ninguém o viu tomar a parte dos escravos, fazer uso da religião para suavizar-lhes o cativeiro, e para dizer a verdade moral aos senhores. Nenhum padre tentou, nunca, impedir um leilão de escravos, nem condenou o regime religiosos das senzalas. A Igreja Católica, apesar do seu imenso poderio em um país ainda em grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da emancipação.”

NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. São Paulo : Publifolha, 2000. (Grandes nomes do pensamento brasileiro da Folha de São Paulo).

[6] “A história oficial diz que o canibalismo aqui só era praticado por umas poucas tribos. Não sei. Mas muitas outras faziam – e fizeram até recentemente — controle da natalidade pelo delicado expediente de sepultar vivas as crianças indesejadas. Com a chegada da Funai, esse costume foi progressivamente abandonado e as tribos começaram a crescer. Muitos dos índios que hoje gritam contra os ‘invasores brancos’ teriam sido enterrados como excedente populacional se a maldita civilização ocidental não tivesse violado a integridade das culturas indígenas, ensinando-lhes que matar crianças não é um meio decente de reduzir despesas. Se ela mesma aliás vem desaprendendo essa lição, regredindo ao ponto de aceitar como normais e respeitáveis os costumes bárbaros que outrora ajudou a erradicar, é normal que ela perca rapidamente a autoridade moral que tinha sobre os índios e agora consinta em ouvir deles, com a cabeça baixa, as mais extraordinárias absurdidades.” A respeito desse relato de Olavo de Carvalho ver o documentário Hakani.

Mais informações em http://www.hakani.org/pt/.

[7] Para saber mais a respeito da infiltração marxista na igreja ver os artigos do filósofo Olavo de Carvalho abaixo:

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