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Quando dois mais dois somam cinco

“- Mostrei os dedos de minha mão. Viste cinco dedos. Lembras disso?
– Lembro.
O’Brien levantou os dedos da mão esquerda, escondendo o polegar.
– Aqui há cinco dedos. Vê cinco dedos?
– Vejo.
E viu mesmo, por um instante fugidio, antes de mudar a cena, no seu espírito. Viu cinco dedos, sem deformidade. Depois tudo voltou ao normal, e o velho medo, o ódio e o espanto regressaram de tropel. Mas houve um momento – não se lembrava da sua duração, trinta segundos, talvez – de certeza luminosa, em que cada nova sugestão de O’Brien enchera uma área de vazio e se transformara em verdade absoluta, e durante o qual dois e dois podiam perfeitamente ser cinco, se fosse necessário. Desapareceu antes de O’Brien ter baixado a mão. Embora não pudesse recapturá-lo, podia recordá-lo, como quem recorda uma vívida experiência num período remoto da vida, em que se foi, na verdade, uma pessoa diferente.
– Agora percebes que é possível – disse O’Brien.
– Sim.”
George Orwell, Nineteen Eighty-Four

Dois eventos ocorridos na mesma semana resumem formidavelmente o estado de intoxicação geral em que se encontra a consciência brasileira, sobretudo daqueles que se deixam influenciar pelas notícias da grande mídia. Enquanto a transgênero Rogéria afirma que não sofre com homofobia o candidato a presidente nas eleições de 2014, Levy Fidelix, foi condenado por prática homofóbica por dizer o óbvio: dois iguais não fazem filho.

“Estou muito feliz com essa oportunidade. Todo mundo reclama de homofobia, mas tenho 71 anos e estou no horário nobre. Por onde passo, só recebo carinho e reconhecimento das pessoas” – Rogéria

A condição de Rogéria desmente uma mentira repetida ad infinitum por partidos de esquerda, em especial o PSOL: no Brasil não há qualquer perseguição a homossexuais. (A propósito, essa rotina esquerdista de tentar capitalizar sobre uma perseguição imaginária já foi desmascarada em detalhes aqui neste blog no artigo Tirando o voto do armário.)

No entanto, se uma verdade universal como “2 + 2 = 4” é ignorada em nome de uma ideologia tão baixa a ponto de moldar o resultado da equação ao que melhor lhe convém então não se trata mais de argumentar com honestidade intelectual, mas de exercer o poder de censura sob quem quer que ouse apontar os fatos e, por consequência, contrariar o totalitarismo militante LGBT.

Se o caso de condenação de Fidelix já parece absurdo o que dirá então quando um membro da própria comunidade LGBT é acusado de homofobia?

A coisa foi tão séria que Talita (hoje Thiago Oliveira) precisou recorrer ao Ministério Público para ter sua integridade física preservada das ameaças de morte que recebeu.

Visando esclarecer o uso político da questão LGBT este blog convidou Thiago Oliveira para uma entrevista, a qual pode ser conferida a seguir:

Você chamou a atenção de todo o Brasil por furar o bloqueio da mídia quando o assunto é ativismo LGBT e tudo aquilo que vem a reboque dessa agenda política. A novidade que você trouxe ao debate público está menos centrado na crítica propriamente dita ao ideário LGBT do que em quem levanta a voz contra um discurso feito de autoengano. No ambiente LGBT, expor publicamente ideias pouco convencionais como a sua é nadar contra a corrente?

Olha, eu não diria nem nadar contra a corrente, mas sim observar que toda moeda tem dois lados. Eu vivi intensamente o mundo LGBT e posso afirmar com toda certeza que não é bem como eles passam, existe muita mentira e hipocrisia, pois os verdadeiros fatos eles não expõem.

É preciso ter muita lucidez, personalidade, fibra moral e coragem para contrapor a verdade objetiva dos fatos a toda casca de mentiras que recobrem o discurso da militância LGBT e, assim, denunciá-lo de uma posição privilegiada: desde dentro. Você esperava esse tipo de retaliação aos seus vídeos?

Sim, pois conhecendo bem esse mundo, sabia que eles não aceitariam a verdade exposta dessa maneira tão clara.

Uma das falácias do movimento tido como gayzista é vender a imagem de que religiosos, de uma forma geral, são intolerantes e encorajam a agressão aos homossexuais. Contrariando o discurso oficial do movimento LGBT o que se observou foi justamente o contrário: comunidades religiosas o acolheram enquanto você sentiu toda a ira dos ativistas LGBT. Em face disso, a imagem demonizada que estes grupos criam de pessoas como Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, Magno Malta e Marcos Feliciano encontra alguma correspondência com o mundo real?

Não, claro que não. Pelo contrario, fui apoiado, respeitado e até ajudado moralmente porque fiquei exilado do mundo com medo que me acontecesse algo, pois as coisas que eu recebia, quase que diariamente, eram que eu deveria morrer, que meus dias estavam contados, que minha batata estava assando e etc. Mas ainda posso afirma que alguns dos nomes acima que eu tive contato sempre me respeitaram como eu era. Feliciano mesmo, sempre me tratou por Talita, sem nenhum problema. O fato deles pregarem o que a religião ensina não quer dizer que eles pessoalmente odeiem os LGBT pois, de forma contraria ao que eu fui tratado pelo movimento LGBT, eles me acolheram e estavam a meu lado me protegendo.

Hoje você parece ser bastante avesso a movimentos políticos de tintura revolucionária tendo, inclusive, alertado ao risco da comunidade LGBT flertar com a esquerda. Essa recusa ideológica nasce de alguma frustração com partidos políticos ligados a movimentos LGBT?

Frustração eu não tenho nenhuma, o problema é que depois que conhecemos a fundo o que realmente almejam é que se percebe que não está correto. Eu, por exemplo, era militante do PSOL e comecei a ver que eles faziam de tudo para ir de encontro aos direitos morais e tradicionais. Não creio que vivemos em uma sociedade tranquila para liberar drogas.  Muito menos os LGBTs vivem relações estáveis para se casarem ou adotarem uma criança, pois crianças não são animais que se compram em pet shop, elas precisam de uma base e uma grande parte dos relacionamentos LGBTs não são duradouros. E depois, o que fazer com a criança? No fim a criança terminará seus dias com mais problemas ainda. Já não basta trazer consigo o estigma da palavra adotado, deve viver ainda com pais separados que, por conta da promiscuidade vivida entre os LGBTs, não foram “felizes para sempre”, como prometido ao final das estórias de conto de fadas!

Desde que você passou a receber ameaças alguma responsabilidade foi apurada?

Não, nenhuma. Eu ligo para a polícia e eles não têm nenhuma resposta para me dar, apenas relatam que isso demora. Ou seja, não farão nada a respeito.

Soube que o Estado não lhe assegurou nenhum esquema especial de segurança, muito pelo contrário, quem se compadeceu de sua situação foi justamente o filósofo Olavo de Carvalho, uma pessoa que sequer mora no Brasil, mas que já fez mais em defesa de gays do que ONGs LGBT que operam abastecidas com dinheiro público. Este episódio escancara uma verdade inconveniente aos ativistas LGBT: “as pessoas que querem defender a minoria não respeitaram a menor minoria do planeta: o indivíduo.” Você acredita que a máscara do movimento LGBT caiu ou o brasileiro ainda compra esse imbróglio?

Olha a policia me ofereceu o Protege, um sistema de segurança que eu deveria deixar de ser quem eu sou, mudar de nome e endereço e não aparecer e, com isso, calarem a minha boca. Quanto ao professor Olavo, ele se dispôs a falar com amigos que fizeram a minha proteção pessoal. Fato curioso: quando eu procurei a secretaria de referência LGBT, onde fui atendido por um travesti que lá trabalha, eles praticamente disseram que como eu estava sendo contra o movimento LGBT que então eu me virasse. Até minhas ligações eles não atendiam mais. Ao invés de me proteger eles me abandonaram, apenas por não pensar como eles.

Gostaria que você falasse um pouco acerca da função que a mídia exerce na agenda LGBT. Apenas para citar um exemplo, você foi convidado a participar do programa Super Pop para falar de um problema sério – as ameaças contra sua integridade física – mas o que se viu foi a mais baixa promoção da agenda gayzista. O programa ficará marcado para sempre sob o signo da desonra ao inverter o eixo do debate. Por meio de giros semânticos, você saiu da condição de vítima e passou a ser retratado como agressor – transfóbico, nas palavras do ativista Bill Santos – ignorando completamente o mérito da questão. A mídia tem algum compromisso com a verdade?

A mídia deveria alerta a população sobre a verdade e, com isso, mostrar quem está com a razão, mas não, eles apenas pensam em ter audiência e não se preocupam com os fatos. Como todo comércio, se preocupam apenas em vender.

As alegações do militante LGBT Bill Santos compõem um conjunto de absurdos que, por si, já bastariam para desqualificá-lo de participar de qualquer debate público sério. Desde logo, percebemos que não estamos lidando com uma pessoa normal quando este diz coisas tais como: “transar com uma pessoa do mesmo sexo não é o suficiente para definir homossexualidade” ou ainda que “o homofóbico sente nojo do homossexual, mas ao mesmo tempo sente tesão por esse homossexual.” No entanto, contrariando todo senso de lógica, o próprio Bill Santos é uma força política dentro do PSOL tendo, inclusive, sido ele próprio candidato nas eleições passadas. A exemplo de Luciana Genro e Jean Wyllys, isso parece colocar o PSOL como o partido preferido do movimento LGBT. O teor de loucura nas teses da militância seria apenas um ardil para puxar votos usando a bandeira LGBT?

Hehehehe! Aquela tese foi fora do comum. Segundo o próprio Bill, agora homens que transam com homens não são mais homossexuais, e sim, homofóbicos. Quanto ao uso do ardil, penso que sim, eles usam de uma vitimização para que com isso consigam votos. A comunidade LGBT é muito ampla e a militância é bastante astuta para saber que se criarem uma falsa defesa, como a que eles costumam fazer, conseguirão conquistar a confiança. Agora, se eles realmente têm a intenção de defender alguém, no mínimo, eles tirariam os travestis das ruas e parariam de gastar com essas manifestações e passeatas, que em nada somam, e gastariam, então,  com a prevenção de doenças e qualificação profissional para, assim, integrá-los ao mercado de trabalho, ou até mesmo criariam uma lei de incentivos fiscais para que as empresas contratassem pessoas que são rejeitadas pelos mesmos como os travestis e etc.

Que recado você daria aos que orientam suas posições partidárias a partir de uma plataforma eleitoral em defesa de minorias, quaisquer que sejam essas minorias?

A verdadeira minoria é o individuo. Devemos suspeitar, sempre, de quem não os defende de forma correta porque quem defende uma minoria não acusa outra. Hoje tudo gira em torno da corrupção, ou seja, ganho de votos e dinheiro, que não é pouco.

Você esteve no olho do furacão, foi alvo de críticas e ameaçado de morte quando contrariou interesses de ONGs LGBT, sendo atacado covardemente por militantes de movimentos sociais, gente que se confundem com a própria atuação do Estado enquanto posam de vítimas. Diante dessa experiência você pôde sentir na pele o quanto o tratamento das partes envolvidas não é ponderado de maneira a equacionar a desproporcionalidade das forças. A isso dá-se o nome de guerra assimétrica. Nesta batalha, o cidadão tem o direito de tomar como expressão da verdade as afirmações de entidades que se dizem representantes dos direitos do povo como uma premissa autêntica?

Não, na verdade o que ocorre hoje é uma agenda criada por Karl Marx que tem por objetivo dividir a população através de conflitos como, por exemplo, o conflito entre brancos e negros, ou héteros contra LGBTs, pobres contra ricos, homens contra mulheres, etc. Se você olhar em torno é o que está acontecendo, de fato, com o nosso país. E assim eles vão agindo por trás, com seu poderoso plano maquiavélico de dominação e poder. Saibam que essa reforma política nada mais é do que constituir um poder ditatorial e totalitário a exemplo de Cuba, Venezuela e por aí vai. Como o aparelhamento do Estado existe há muito tempo, já se observam os efeitos disso no sistema de ensino, onde uma presidente que roubava bancos hoje passa por heroína porque isso não está nos livros de história. A população está cega e todos pagam o pato. Afinal é bem mais fácil manipular uma população sem estudo!!!

“Não haverá lealdade, exceto lealdade ao partido, mas sempre haverá a intoxicação pelo poder. Sempre, a cada momento, haverá a emoção da vitória, a sensação de pisar no inimigo impotente. Se você quer uma imagem do futuro imagine uma bota pisando em um rosto humano para sempre. A moral a ser retirada desta perigosa situação de pesadelo é simples: não deixar que isso aconteça, depende de você.”
George Orwell

O mito do partido do povo

É próprio do ambiente político marcar posições por meio de símbolos e imagens que remetem o público a um conjunto de ações de cunho social, quando não mesmo valores nobres e altruístas. E algumas alas ideológicas desempenharam tão bem esse papel que, por mais que o partido esteja atolado em escândalos de corrupção, ainda ficará marcado nos corações das pessoas humildes, para sempre, como os representantes legítimos da defesa do povo.

É evidente que uma alegação dessas não sobrevive ao teste da verdade. No entanto, historicamente essa associação de partidos de esquerda e princípios igualitários datam desde a revolução francesa. O lema liberdade, igualdade e fraternidade sempre esteve associado ao movimento revolucionário, não importando a quantidade de sangue que seja derramado para antecipar o curso da história e realizar o dia do julgamento final aqui mesmo na Terra.

O princípio lógico por trás desse estratagema é extremamente simples, porém sutil: quando duas correntes de pensamento competem e uma delas se autodenomina como portadora da vontade do povo, resta ao opositor, portanto, a desconfortável posição de inimigo da população.

Desde logo, fica claro que o discurso adotado por um lado tem por objetivo fraudar o debate público e operar dentro de esquemas psicológicos e não fundado no primado da razão. Em outras palavras, na política, as disputas ocorrem fundamentalmente pelo controle da mente do eleitorado e nunca em função da eficiência da gestão pública.

Quanto maior os malfeitos do partido no poder maior será sua habilidade em jogar com os símbolos de aliado do povo. No Brasil nenhum partido levou esse esquema de manipulação pavloviano ao extremo quanto o Partido dos Trabalhadores. A arte de enganar só funciona porque o fazem de forma consistente e adotando um discurso único.

Eis um exemplo de como isso ocorre:

No mês passado a Câmara Municipal de Campinas sediou um debate sobre visibilidade de travestis e transexuais (ver vídeo abaixo) em que estiveram presentes associações LGBT bem como a porção de representação desse movimento dentro do aparelho do Estado. A discussão toda girou em torno de uma realidade: pessoas que vivem o gênero social em desacordo com o sexo biológico e as implicações legais de quem enfrenta a mudança de sexo.

O debate público em torno do tema é justo e legítimo desde que resguardada a defesa do indivíduo. Não cabe ao Estado interferir na vida privada, mas uma vez que as pessoas decidam por se apresentarem socialmente como entes opostos ao sexo do nascimento é preciso reconhecer a identidade legal destes cidadãos e garantir a segurança jurídica dos mesmos em situações de união civil. De uma forma geral era isso o que propunham os representantes presentes à mesa.

Assim, o debate era muito mais de bases jurídicas do que de fundo moral. No entanto, o vereador Carlão do PT, na condição de presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal aproveitou a ocasião para semear dividendos políticos posicionando a legenda como porta-voz da minoria LGBT.

Aos 1:35:00 do debate ele declara que:

“O nosso mandato, tem que servir como uma ferramenta de resistência, de luta. Porque eu acho que o caminho para as mudanças, para o caminho de defesa de direito e para a transformação que a gente quer, eu acho que não passa nem pelo judiciário que está aí. Porque esse judiciário não foi feito para nós. Não foi feito para o povo. É um judiciário burguês assim como o Estado é um Estado burguês. E eu acho que a gente vai romper com essa lógica a partir do momento em que a gente tiver um movimento articulado. Um movimento articulado com movimento social em geral.”

Para logo em seguida, aos 1:38:50, disparar:

“Eu só acredito nessa transformação com resistência, luta e enfrentamento porque a burguesia não quer mudança. Ela não vai abrir mão da sociedade que ela construiu. Somos nós que vamos romper barreiras. Eu acho que o movimento mostrou que é possível. Em Junho de 2013 o movimento provou que quando, coletivamente, a gente vai para as ruas conseguimos ser ouvidos. Então vamos lutar juntos!”

O que tudo isso tem a ver com o reconhecimento legal de uma identidade de gênero e segurança jurídica de quem opta pela união civil? Absolutamente nada!

O leitor deste blog já deve ter notado que, se o vereador Carlão do PT não está interessado em resolver um problema de ordem legal, então ele faz uso de sua presidência afrente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania com o único intuito de cooptar uma base de apoio que ofereça sustentação para o seu partido, independentemente de beneficiar ou não quem ele alega representar.

Já passou da hora de desmascararmos todo e qualquer político que use de subterfúgios tão baixos para enganar o povo e eternizar-se no poder.

Tirando o voto do armário

Na reta final das eleições majoritárias a homofobia aparece como tema central de tensões nos confrontos políticos, principalmente dentre aqueles partidos que gostariam de ser maiores do que efetivamente a atenção que o eleitorado devota a eles permite. No entanto, o cerne da questão parece passar desapercebido do horizonte do debate público: a vida privada de cada cidadão não é (ou ao menos não deveria ser) um assunto de Estado.

A constituição de 1988 já assegura a inviolabilidade da intimidade das pessoas (Art. 5, inc. X) e, desde que se respeite o princípio de mútuo consentimento entre as partes, a ninguém é dada a prerrogativa de interferir na vida sexual alheia.

Quando o Estado se arroga o direito de regular as relações íntimas ele está falhando com as suas atribuições. Ao Estado cabe tratar de assuntos de interesse coletivo como segurança pública, saúde, educação, transporte, infraestrutura, economia, relações internacionais, previdência social e etc deixando que os casais homoafetivos decidam como irão resguardar o espólio de uma vida construída em conjunto.

A bandeira da união civil homossexual é legítima e deve ser tratada como aquilo que é: uma segurança jurídica, um amparo legal, uma garantia de que o relacionamento que existe na prática guarde correspondência com a representação oficial dos bens em comum.

Assim, quando um chefe de Estado discute em termos de regular as relações íntimas, independentemente de sua posição, seja ela pró ou contra, este está invertendo a lógica entre a esfera pública e privada.

Mas se essa não é uma questão de primeira ordem no debate presidencial por que então os candidatos dedicam tanta atenção ao tema? Para responder a essa questão é necessário observar o que o próprio movimento LGBT tem a dizer a respeito da homofobia.

Segundo o último relatório de assassinatos de homossexuais no Brasil divulgado pelo Grupo Gay da Bahia, ONG que desde os anos 80 faz esse tipo de levantamento, em 2012 foram assassinados 338 homossexuais. Neste mesmo ano, foram registrados 50.108 homicídios em todo o país. Assim, os assassinatos de homossexuais perfazem algo em torno de 0,7% dos homicídios em todo o território nacional.

De acordo com o próprio fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, em entrevista concedida em Janeiro de 2001 ao Jornal da UNICAMP, cerca de 10% da população brasileira é constituída de homossexuais.

Supondo que a distribuição de 90% hetero e 10% bi/homossexual esteja correta (pessoalmente creio que a parcela de gays é ainda menor) seria esperado que pelo menos 5 mil homossexuais tivessem morrido assassinados de acordo com os números – lembrando que para efeitos estatísticos estamos assumindo que os assassinatos ocorressem de forma igualitária entre hetero e homossexuais.

Neste ponto temos um problema porque a conta não fecha: ou os 10% estão inflados ou a tese mesma da perseguição contra homossexuais não se sustenta. Qualquer que seja o caso estamos diante de uma fraude intelectual orquestrada por movimentos LGBT.

Para agravar a situação apenas 5% dos homicídios são solucionados no Brasil. Sendo muito generoso com a tese de perseguição aos homossexuais vou conceder o benefício da dúvida e considerar que para todos os 338 homicídios os casos foram devidamente investigados, os assassinos foram identificados e que estes confessaram a motivação do crime como sendo homofóbia (algo que sabemos ser inverossímil). Mesmo assim, os números que teríamos seriam 338 assassinatos de homossexuais de um universo de 2.506 de casos elucidados, ou seja, um índice de 13,5%, ainda na faixa dos 10%, aproximadamente, da população que compõe o total de gays na sociedade.

Ora, para configurar perseguição generalizada contra qualquer grupo específico os números teriam necessariamente que indicar uma razão de homicídios significativamente superior ao próprio porcentual de composição desse dado grupo.

Aplicando a lógica deste movimento LGBT a chance de ser assassinado no Brasil se você for homossexual é de 0,7% enquanto que a chance de ser assassinado se você for heterossexual é de 99,3% de onde se conclui que: é mais seguro ser gay do que ser heterossexual!

É claro que essa afirmação é absurda e não contempla as injustiças que homossexuais sofrem no Brasil. No entanto, homossexuais antes mesmo de serem vítimas de homofóbicos, são vítimas da desonestidade de ONGs LGBTs que, sob o pretexto da alegada defesa dos gays acabam por utilizá-los como massa de manobra para fins próprios.

Apenas para ilustrar a questão e mostrar o contraponto, o blog Contra a discriminação por orientação sexual é um exemplo de trabalho dedicado a mesma causa que o Grupo Gay da Bahia, porém apresentando uma abordagem intelectualmente honesta e transparente aonde os dados sobre homicídios estão abertos e podem ser auditados por qualquer um.

Sugiro que os leitores deste blog comparem o relatório apresentado por um grupo e por outro para tirar suas próprias conclusões a respeito.

Agora um ponto para reflexão, qual abordagem parece ganhar maior apelo da mídia? Creio que isso já basta para responder o porquê de presidenciáveis se exporem tanto ao tratar de um tema que sequer é uma prerrogativa presidencial.

Em síntese, o encadeamento de ideias obedece ao seguinte silogismo:

  • Se a vida sexual dos cidadãos não é um assunto de Estado, sendo, inclusive, preservada constitucionalmente a inviolabilidade da intimidade de todos
  • E os números que deveriam demonstrar homofobia não comprovam a tese de militantes LGBT de que de fato haveria perseguição aos gays
  • Logo, a argumentação utilizada em defesa desta minoria transforma uma falsa perseguição em um valioso ativo político.

Neste sentido, movimentos LGBT adquirem apelo social funcionando como extensões de partidos políticos. Enquanto as ONGs emprestam a bandeira em defesa das minorias os partidos aproveitam para cooptar maior base de apoio em um público artificialmente criado.

Falar em criação de leis que punam a homofobia é, no mínimo, contraditório. Homicídio é crime previsto no código penal, independentemente se praticado contra homossexual ou heterossexual. Lesão corporal e preconceito, idem. Assim, a integridade física e moral de homossexuais já está garantida pela lei pelo princípio de isonomia (em que todos são iguais perante a lei), bastando, apenas, tratar da preservação do patrimônio em caso de união homoafetiva.

No entanto, a militância LGBT usa de sua bandeira para fazer uso de plataforma política. Talvez o exemplo mais emblemático de que o conceito de homofobia foi deturpado em sua origem esteja representado neste episódio em que Clodovil é ele mesmo acusado de praticar homofobia única e exclusivamente por discordar de seus pares. Assim, basta discordar da opinião daquele que representa a voz dos homossexuais para ser taxado de homofóbico, ainda que quem discorde não seja homofóbico.

Este método de carimbar um rótulo pejorativo no adversário para fazê-lo sentir vergonha de suas opiniões é amplamente utilizado por partidos de esquerda. O expediente consiste em lançar uma acusação (com fundamento ou não, isso pouco importa na guerra política) e criar situações de conflito que dividam a base de apoio. Pode-se facilmente identificar esta rotina quando a acusação ocorre em termos como racista, machista, homofóbico, fascista ou nazista etc.

Em mais um exemplo de uso indevido do termo homofobia vemos o ativista gay Márcio Retamero proferindo um discurso de ódio contra cristãos (o que em si configura crime por vilipendiar crença alheia) enquanto posa de vítima.

A relação fisiológica entre partidos políticos e movimentos LGBT fica evidente na atuação do deputado federal Jean Wyllys enquanto método político. Essa associação rende as ONGs repasse de verba pública que como vimos não será usada em benefício dos homossexuais.

A lista de exemplos é interminável e uma simples visita ao blog Contra a discriminação por orientação sexual bastaria para identificar as fraudes destes grupos de militância LGBT.

Em Campinas o vereador que utiliza deste expediente torpe de angariar votos para o seu partido é o Carlão do PT. No fim de Agosto a Câmara Municipal abrigou o evento que discutiu a criação de Programa de Acessibilidade e Segurança para LGBTs.

Alegar que estão agindo pelo bem de uma minoria perseguida é desrespeitar a inteligência dos homossexuais e rebaixá-los ao mesmo padrão de moralidade de políticos intelectualmente desonestos. Que militantes assumidamente homossexuais se prestem a esse papel é algo absolutamente lamentável e injusto com todos os demais que querem levar a sua vida íntima entre quatro paredes sem a interferência de sociedade.