Contra a religião política

“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.”
Abraham Lincoln

A disputa presidencial de 2014 ficará marcada para sempre por ser a eleição mais suja da história do Brasil. Após 12 anos de gestão do Partido dos Trabalhadores o resultado não poderia ser pior. O uso do Estado como um aparelho do partido deu a autonomia que os criminosos precisavam para pilhar a coisa pública enquanto solapavam os fundamentos macroeconômicos que garantiam a estabilidade da moeda.

A volta da inflação, as demissões em massa, a desconfiança do mercado externo, os juros em alta, o rebaixamento da nota de investimento por agências de risco, o aumento das contas de gasolina e energia elétrica e a mudança nas leis trabalhistas forçam o brasileiro a conviver com o Brasil real, um país que está longe, mas muito longe daquele Brasil da propaganda do PT.

Diante dos fatos não é surpresa que a presidente Dilma Rousseff seja vaiada em toda aparição pública. O índice de aprovação da PTista caiu para apenas 7%, segundo pesquisas do próprio governo, confirmando aquilo que já está na boca do povo há muito tempo.

O sentimento de descontentamento é generalizado, mas nem todo o banditismo declarado do PT é o suficiente para demover alguns profissionais da mídia, como Juca Kfouri, de dizer que quem desaprova Dilma é porque tem ódio aos pobres:

“O panelaço nas varandas gourmet de ontem [em protesto ao pronunciamento presidencial especial no dia internacional das mulheres] não foi contra a corrupção. Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.”

Percebe-se, desde logo, que estamos diante do maior mistério da humanidade: se o governo do PT foi responsável por transformar 93% da população em elite econômica como é que esta mesma população poderia se insurgir contra tamanho milagre de enriquecimento?

Elite

A declaração de Kfouri chama menos a atenção pela sua argumentação – absurda em si mesma – do que pelo exemplo da força da convicção cega em uma causa que não foi examinada pela inteligência de quem advoga a favor de uma ideologia. E é bom que se diga, ideias que são aceitas sem maiores contestações estão mais para a o campo da religião do que para o campo das ciências políticas.

Não é a toa que militantes de esquerda comportam-se como membros de uma seita. Discursam como quem prega sua crença e aderem à religião política, por assim dizer.

Que o próprio PT tenha nascido das comunidades eclesiais de base da igreja católica é um fato que não pode ser ignorado. E que a principal referência nacional da teologia da libertação tenha ligações estreitas com o partido tampouco.

A ladainha de Kfouri encontra eco em Leonardo Boff, que diz:

“Ocorre que irrompeu uma mudança profunda graças às políticas sociais do PT: os que não eram começaram a ser. Puderam comprar suas casas, seu carrinho, entraram nos shoppings, viajaram de avião às multidões, tiveram acesso a bens antes exclusivos das elites econômicas. (…) Veem, temerosas, a ascensão das classes populares e de seu poder.”

E o discurso único reverbera produzindo ainda mais características de uniformidade.

Enquanto Kfouri defende que:

“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio.”

Boff justifica que:

“Já dissemos anteriormente e o repetimos: o ódio disseminado na sociedade e nas mídias sociais, não é tanto ao PT, mas àquilo que o PT propiciou para as grandes maiorias marginalizadas e empobrecidas de nosso país: sua inclusão social e a recuperação de sua dignidade. Não são poucos os beneficiados dos projetos sociais que testemunharam: ‘sinto-me orgulhoso não porque posso comer melhor e viajar de avião, coisa que jamais poderia antes, mas porque agora recuperei minha dignidade’. Esse é o mais alto valor político e moral que um governo pode apresentar: não apenas garantir a vida do povo, mas faze-lo sentir-se digno, alguém participante da sociedade.”

Ainda que haja diferença de estilos literários entre os dois autores não há como negar o senso de unidade que aplaina o conteúdo do discurso de ambos. E isso fica tanto mais patente quando voltamos a atenção aos títulos em que cada um dá ao seu respectivo artigo:

O que se esconde por trás do ódio ao PT(II)?, publicado por Leonardo Boff em 07/03/2015.

O panelaço da barriga cheia e do ódio, publicado Juca Kfouri em 09/03/2015.

Se a tese de adesão à religião política ainda parece inverossímil o próprio Boff trata de nos esclarecer essa dúvida de uma vez por todas:

“Esta constelação anti-popular e até anti-Brasil suscita, nutre e difunde ódio ao PT como expressão do ódio contra aqueles que Jesus chamou de “meus irmãos e irmãs menores”, os humilhados e ofendidos de nosso pais.Como teólogo me pergunto angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos. Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? O que ensinaram as muitas Universidades Católicas e as centenas de escolas cristãs para permitirem surgir esse movimento blasfemo, pois, atinge o próprio Deus que é amor e compaixão e que tomou partido pelos que gritam por vida e por justiça?”

Ora, se rejeitar o PTismo é, nas palavras de Boff, um movimento blasfemo então o próprio Deus foi retirado do centro da doutrina católica para, em seu lugar, ser ocupado pelo… PT!

Assim, torna-se auto evidente que nenhum militante esquerdista, absolutamente NENHUM, irá fazer um exame de consciência e buscar compreender as raízes profundas dos próprios erros porque, antes de mais nada, não o fazem sob uma perspectiva racional, mas, esta sim, a partir de uma condição ontológica da mentalidade revolucionária.

A crença na religião política estipula que o militante deva obediência à divindade partidária e não reflita sobre seus preceitos. Daí ao fundamentalismo doutrinário é um caminho muito curto a ser percorrido e a História tem nos mostrado as consequências terríveis quando o mundo civilizado entra em rota de colisão com a visão estreita de extremistas fanáticos.

A natureza revelada: da agressividade tácita ao paramilitarismo sangrento

Depois que o Partido dos Trabalhadores colocou nas ruas o seu exército particular e deu ordem de agredir fisicamente todos aqueles que fizessem oposição ao partido um tema entrou definitivamente em pauta: o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A ninguém é concedido o direito de manter um contingente paramilitar que age coagindo a população e ignorando completamente a ordem constitucional. Já passou da hora de chamarmos as coisas pelos seus devidos nomes. Exército paralelo é milícia e o PT deixou de ser um partido legal quando assumiu publicamente que mantém um exercito particular.

A Lei dos Partidos Políticos número 9.096, de 19 de setembro de 1995, é categórica quanto a isso:

Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:
I – ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira;
II – estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros;
III – não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral;
IV – que mantém organização paramilitar.

Entender a correlação implícita entre agressores-militantes e a ordem vinda diretamente do partido para partir para a briga requer a análise atenta a alguns fatos, algo que passou despercebido a alguns analistas políticos, quando não acobertado criminosamente, como veremos a seguir.

O episódio de agressão de militantes PTistas contra opositores do governo não pode ser compreendido como um ato isolado, sendo necessário remontar eventos que o antecederam para, enfim, lançar luz sobre essa questão. Assim, a faísca que acendeu o estopim data de pelo menos cinco dias antes da pancadaria ser deflagrada.

Em 19 de Fevereiro o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, sentiu na pele o fracasso de sua política econômica ao ser chamado de “safado”, “sem vergonha” e ser convidado a tratar a saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). Na ocasião Mantega acompanhava a mulher, em tratamento, no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Esse episódio implicou em uma resposta: em 24 de Fevereiro o presidente do PT do Rio de Janeiro, Washington Siqueira, o Quaquá, incitou a militância a passar do embate dialético às vias de fato.

Washington Siqueira

A ordem foi acatada já no mesmo dia, em evento organizado pelo PT em conjunto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

Democracia PTista

Enquanto o coro comia solto do lado de fora da ABI o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, sem muita cerimônia, declarava que:

“Quero paz e democracia, mas, se eles não querem, nós sabemos brigar também, sobretudo quando o João Pedro Stédile [líder do MST] colocar o exército dele do nosso lado.”

A íntegra dessa bravata pode ser conferida no vídeo a seguir:

Quando a liderança estadual e a maior voz do partido defendem, ao mesmo tempo, o uso da força para combater as críticas e, imediatamente, isso vem acompanhado da ação, é sinal de que uma coisa é necessariamente consequência de outra. A mera casualidade não pode ser evocada como argumento atenuador de responsabilidades quando há confluência de eventos, todos eles direcionados à pancadaria, e mais ainda, quando este mesmo partido possui um vasto histórico de agressões como lastro de ordem moral.

O acervo de artifícios que justificam a agressão física – oscilando entre as formas mais sutis até as mais virulentas – é o cerne mesmo da política do PT. É a velha fórmula marxista: fomenta-se o ódio ao mesmo tempo em que se fala em justiça social.

Eis um exemplo típico:

“Houve briga entre manifestantes ontem, no Rio de Janeiro, a respeito da Petrobras e da Operação Lava Jato. Foi divulgado um vídeo que mostrou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega sendo hostilizado num hospital privado em São Paulo. Os dois casos refletem o clima de intolerância no debate público. O caso de Mantega é mais grave, por mostrar um desrespeito inaceitável a alguém que acompanhava a esposa que faz um tratamento delicado de saúde.”

A declaração acima é do jornalista Kennedy Alencar, alguém tão isento e imparcial em suas análises que, para tanto, possui a credencial de ter atuado como assessor de imprensa de… Lula.

Esse embuste não pode passar sem uma avaliação mais criteriosa, sob pena de atribuir crédito e prestígio a quem tem por profissão a desonestidade intelectual. Quando o jornalista a serviço do PTismo alega que tanto xingamentos quanto pancadaria refletem o clima de intolerância no debate público o que ele está fazendo é dissolver o senso das proporções para então igualar agressão verbal à agressão física. É preciso muita falta de ética para inverter o eixo do debate público a fim de oferecer salvo-conduto às forças milicianas enquanto trata de criminalizar quem faz oposição dentro da ordem jurídico-democrática.

Se por um lado, gente como Kennedy Alencar, Leonardo Sakamoto, Cynara Menezes, Paulo Moreira Leite, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim entre outros jornalistas de aluguel, cumprem o desonroso papel de oferecer o respaldo intelectual à barbárie, conferindo-lhe toda uma atmosfera de normalidade, por outro lado, o partido já não faz qualquer esforço para ocultar sua adesão a métodos nada ortodoxos, perdendo qualquer vestígio de freio moral e passando a abusar da violência como tática de guerra.

Não por acaso o grupo que hoje encontra-se no poder, foi o mesmo que, nos anos 60, empreendeu a luta armada. Foi necessário que a esquerda revolucionária mudasse o discurso de guerrilha urbana e abraçasse a causa democrática para, enfim, ser aceita como força legítima pelo eleitorado. No entanto, jamais se ouviu qualquer palavra de resignação de PTistas como José Dirceu, Dilma Rousseff, Franklin Martins ou José Genoino quanto ao passado de luta armada. Muito pelo contrário: uma vez instalados no poder a situação aguçou a sanha revanchista e a maior expressão disso é a Comissão Nacional da Verdade.

Aos poucos vai ficando evidente que a vocação para a violência é uma característica intrínseca ao próprio partido e, os exemplos listados a seguir, não são uma exceção à aparente casca democrática, mas o caráter revolucionário em seu estado bruto.

Que partido que respeita a ordem constitucional e a transparência encorajaria a censura, assim como o fez o coordenador da campanha do PT ao governo do estado de São Paulo?

Paulo Frateschi:  “Por que é que essa juventude [referindo-se a União da Juventude Socialista, grupo historicamente aliado ao PT] jogou lixo na Veja [sede da Editora Abril]? É porque eles consideram a revista Veja um lixo. É direito deles!”

Que partido que preza pela concorrência leal incentivaria o terrorismo eleitoral, assim como o fez o líder do MST, ao dividir o palanque com Lula?

João Pedro Stedile: “A Dona Marina [Silva] que invente de colocar a mão na Petrobrás, que voltaremos aqui todos os dias (em protesto).”

Que partido que se pauta pela conduta honesta teria associação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), assim como o fizeram o deputado estadual Luiz Moura (PT) e seu irmão, o vereador paulistano Senival Moura (PT)?

No olho do furacão desde que participou de uma assembleia de motoristas e cobradores, em Itaquera, na zona leste da capital paulista, em que estavam presentes um assaltante de bancos condenado e, segundo a polícia, 13 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) – facção que comanda o crime de dentro e fora dos presídios – o deputado estadual Luiz Moura (PT), sinaliza que se tiver que cair, cairá atirando.
Luiz Moura: “O culpa pelas facções é de quem deixou que elas se criassem. Não conheço ninguém do PCC e nunca tive relação com o crime organizado.”
O deputado diz que não conhecia a maioria dos presentes à reunião – “não tem como pedir atestado de antecedentes.”

Que partido que convive democraticamente com a diferença de opiniões rotularia os seus críticos como os inimigos públicos do povo brasileiro e convidaria a militância para o linchamento público, assim como o fez o vice-presidente nacional do PT e coordenador das Redes Sociais do partido?

Alberto Cantalice: “Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo.”

Que partido que valoriza a integração entre os países e o espírito esportivo mandaria matar o jogador que tirou Neymar da copa do mundo, assim como o fez a candidata a deputada estadual no Rio Grande do Sul?


Que partido que entende o processo eleitoral como uma disputa de propostas e projetos diferentes mandaria seus eleitores dar uma surra nos opositores, assim como o fez o então presidente do PT?

José Dirceu para os grevistas: “Mais e mais mobilização. Mais e mais greve. Mais e mais movimento de rua. Porque eles têm que apanhar na rua e nas urnas.”

Frente ao desfecho de agressão ao então governador Mário Covas, Dirceu declarou que: “Pena que ele tenha recorrido a este expediente, justo ele que sabia que o meu discurso era retórica, apenas a minha forma de hipotecar apoio à categoria em greve. Não era nada dirigido a ninguém em particular. Triste, principalmente, que a manipulação tenha sido engendrada pelo Mário Covas – ou apoiada, ele encampou e deixou a versão ser explorada.”

Por fim, que partido é esse que no prazo de pouco mais de 4 meses teve dois prefeitos assassinados durante o período de arrecadação de caixa da campanha que elegeu o ex-presidente Lula?

Os exemplos elencados são fortes e chocam pelo seu teor de ultraviolência. No entanto, os dados aqui levantados sugerem algo mais. Quando uma ação se repete consistentemente ao longo do tempo é possível apreender o senso de unidade do conjunto das ações, percepção essa que é ininteligível quando se analisa ações pontuais, tratadas isoladamente. Em outras palavras, quando episódios aparentemente pouco articulados entre si são reunidos e postos à mesa então o padrão de unidade salta aos olhos revelando o valor do conjunto da obra.

Se o elemento recorrente ao PTismo é o fundo violento então qualquer manifestação de legalidade do partido não passa de simples alegoria, um artifício retórico usado para desviar a atenção e mascarar a verdadeira força motriz do partido: o ódio acachapante à ordem constituída e o impulso de destruição das bases mesmas da civilização ocidental.

Diante de tudo isso o sentimento da população de rejeição ao partido nunca foi tão grande e por isso mesmo é que a resposta da militância tende a ser cada vez mais violenta. Se já não podem mobilizar a população como antigamente é natural que recorram a grupos paramilitares como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O flagrante de confissão do ex-presidente Lula de que existe um exército a serviço do partido não pode ser negligenciado pelo Ministério Público. É preciso que todo cidadão exerça pressão sobre o cancelamento do registro civil e do estatuto do PT.

Com efeito, o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PP-RJ) protocolou a representação PR-DF 7106/2015 na Procuradoria Regional da República no Distrito Federal contra Luiz Inácio da Silva pela prática de crime contra a segurança nacional e a ordem política e social. O embasamento jurídico para tanto escora-se em:

Art. 5, inc. XVII da Constituição Federal de 88
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

Art. 16 da Lei de Segurança Nacional – Lei 7170/83
Art. 16 – Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.
Pena: reclusão, de 1 a 5 anos.

Art. 17 da Lei de Segurança Nacional – Lei 7170/83
Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.
Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.

Art. 22 da Lei de Segurança Nacional – Lei 7170/83
Art. 22 – Fazer, em público, propaganda:
I – de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social;
II – de discriminação racial, de luta pela violência entre as classes sociais, de perseguição religiosa;
(…)
Pena: detenção, de 1 a 4 anos.
§ 1º – A pena é aumentada de um terço quando a propaganda for feita em local de trabalho ou por meio de rádio ou televisão.

Art. 23 da Lei de Segurança Nacional – Lei 7170/83
Art. 23 – Incitar:
I – à subversão da ordem política ou social;
III – à luta com violência entre as classes sociais;
Pena: reclusão, de 1 a 4 anos.

Exigir o fim de um partido ilegal como o PT, que violenta a ordem democrática incontáveis vezes, é direito e dever de todos, mas enquanto isso não acontece é imperativo desmantelar o seu braço armado: o MST.

A exemplo do PT que usa uma fachada democrática para agir no subterrâneo da República, o MST também não é uma organização de trabalhadores rurais, mas sobretudo um contingente fortemente armado com treinamento militar e que pode ser acionado para promover agitação política.

Desde 2005, pelo menos, sabe-se que as próprias Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) treinaram membros do MST em técnicas de guerrilha.

Outro dado importante acerca da natureza militarista do MST é que o governo da Venezuela assinou acordo de cooperação com o MST para, nas palavras do ministro para Comunas e Movimentos Sociais da Venezuela, Elias Jaua:

“Firmar esse convênio para incrementar a capacidade de intercâmbio de experiências, de formação, para fortalecer o que é fundamental em uma revolução socialista, que é a formação da consciência e da organização do povo para defender o que já foi conquistado e seguir avançando na construção de uma sociedade socialista.”

Para quem ignora a atual situação política da Venezuela aqui vai o alerta:

É fato que Lula e o PT endossaram o apoio à Chávez e Maduro antes da violência estourar nas ruas, mas desde que o governo da Venezuela passou a perseguir, prender e matar seus próprios cidadãos nenhuma palavra mais dura foi emitida pela alta cúpula do partido. Ao contrário, as declarações recentes de Rui Falcão, presidente do partido, são solidárias às violações de direitos civis.

“O Partido dos Trabalhadores tem acompanhado com atenção a situação política venezuelana e expressa sua preocupação sobre fatos recentes que atentam contra a vontade popular. Diante dos fatos noticiados, reafirma seu repúdio a quaisquer planos de golpe contra o governo legitimamente eleito de Nicolás Maduro.”

Antes que as coisas saiam do controle por aqui é imprescindível negar a legitimidade do partido que governa o país e entender que a estratégia de ação continental de governos bolivarianos articula-se por meio de milícias fortemente armadas.

O PT já anunciou que se necessário for colocará o MST para enfrentar a população. Compete a nós, agora, mostrarmos que a massa de pessoas civilizadas é ainda maior do que o ranço PTista pelo respeito a ordem democrática. Qualquer luta que venhamos a empreender deve ser feita dentro da lei, exigindo que se cumpra a Lei dos Partidos Políticos número 9.096/95 e a Lei de Segurança Nacional número 7170/83.

O mito do partido do povo

É próprio do ambiente político marcar posições por meio de símbolos e imagens que remetem o público a um conjunto de ações de cunho social, quando não mesmo valores nobres e altruístas. E algumas alas ideológicas desempenharam tão bem esse papel que, por mais que o partido esteja atolado em escândalos de corrupção, ainda ficará marcado nos corações das pessoas humildes, para sempre, como os representantes legítimos da defesa do povo.

É evidente que uma alegação dessas não sobrevive ao teste da verdade. No entanto, historicamente essa associação de partidos de esquerda e princípios igualitários datam desde a revolução francesa. O lema liberdade, igualdade e fraternidade sempre esteve associado ao movimento revolucionário, não importando a quantidade de sangue que seja derramado para antecipar o curso da história e realizar o dia do julgamento final aqui mesmo na Terra.

O princípio lógico por trás desse estratagema é extremamente simples, porém sutil: quando duas correntes de pensamento competem e uma delas se autodenomina como portadora da vontade do povo, resta ao opositor, portanto, a desconfortável posição de inimigo da população.

Desde logo, fica claro que o discurso adotado por um lado tem por objetivo fraudar o debate público e operar dentro de esquemas psicológicos e não fundado no primado da razão. Em outras palavras, na política, as disputas ocorrem fundamentalmente pelo controle da mente do eleitorado e nunca em função da eficiência da gestão pública.

Quanto maior os malfeitos do partido no poder maior será sua habilidade em jogar com os símbolos de aliado do povo. No Brasil nenhum partido levou esse esquema de manipulação pavloviano ao extremo quanto o Partido dos Trabalhadores. A arte de enganar só funciona porque o fazem de forma consistente e adotando um discurso único.

Eis um exemplo de como isso ocorre:

No mês passado a Câmara Municipal de Campinas sediou um debate sobre visibilidade de travestis e transexuais (ver vídeo abaixo) em que estiveram presentes associações LGBT bem como a porção de representação desse movimento dentro do aparelho do Estado. A discussão toda girou em torno de uma realidade: pessoas que vivem o gênero social em desacordo com o sexo biológico e as implicações legais de quem enfrenta a mudança de sexo.

O debate público em torno do tema é justo e legítimo desde que resguardada a defesa do indivíduo. Não cabe ao Estado interferir na vida privada, mas uma vez que as pessoas decidam por se apresentarem socialmente como entes opostos ao sexo do nascimento é preciso reconhecer a identidade legal destes cidadãos e garantir a segurança jurídica dos mesmos em situações de união civil. De uma forma geral era isso o que propunham os representantes presentes à mesa.

Assim, o debate era muito mais de bases jurídicas do que de fundo moral. No entanto, o vereador Carlão do PT, na condição de presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal aproveitou a ocasião para semear dividendos políticos posicionando a legenda como porta-voz da minoria LGBT.

Aos 1:35:00 do debate ele declara que:

“O nosso mandato, tem que servir como uma ferramenta de resistência, de luta. Porque eu acho que o caminho para as mudanças, para o caminho de defesa de direito e para a transformação que a gente quer, eu acho que não passa nem pelo judiciário que está aí. Porque esse judiciário não foi feito para nós. Não foi feito para o povo. É um judiciário burguês assim como o Estado é um Estado burguês. E eu acho que a gente vai romper com essa lógica a partir do momento em que a gente tiver um movimento articulado. Um movimento articulado com movimento social em geral.”

Para logo em seguida, aos 1:38:50, disparar:

“Eu só acredito nessa transformação com resistência, luta e enfrentamento porque a burguesia não quer mudança. Ela não vai abrir mão da sociedade que ela construiu. Somos nós que vamos romper barreiras. Eu acho que o movimento mostrou que é possível. Em Junho de 2013 o movimento provou que quando, coletivamente, a gente vai para as ruas conseguimos ser ouvidos. Então vamos lutar juntos!”

O que tudo isso tem a ver com o reconhecimento legal de uma identidade de gênero e segurança jurídica de quem opta pela união civil? Absolutamente nada!

O leitor deste blog já deve ter notado que, se o vereador Carlão do PT não está interessado em resolver um problema de ordem legal, então ele faz uso de sua presidência afrente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania com o único intuito de cooptar uma base de apoio que ofereça sustentação para o seu partido, independentemente de beneficiar ou não quem ele alega representar.

Já passou da hora de desmascararmos todo e qualquer político que use de subterfúgios tão baixos para enganar o povo e eternizar-se no poder.

Opinião pública e desconversa política

A classe política é sensível à opinião pública. Com efeito, não veremos políticos profissionais arriscando-se a defender publicamente temas e/ou opiniões impopulares sob o risco de não se reelegerem na próxima eleição. Assim, é natural e até esperado que toda a ação política limite-se a uma janela de variações mais ou menos pautada pela opinião pública. A este recorte na escala do espectro político – variando entre maior ou menor grau de intervenção estatal nas relações sociais – e que corresponde ao consenso da opinião pública damos o nome de Janela de Overton.

Segundo a teoria de Joseph P. Overton as discussões na esfera política tendem a acompanhar a opinião pública por uma mera questão de sobrevivência partidária. No Brasil a balança do senso político pende para a direita, mas nem por isso os políticos se dobram à vontade da maioria. Isso porque após 21 anos de ditadura militar a esquerda dominou o cenário político de tal forma que não sobrou um só partido de direita que fizesse oposição ideológica de fato. Assim, se por um lado há um potencial latente depositado na massa de eleitorado sem ter quem a represente politicamente, por outro há representantes da população com bandeiras incompatíveis com o perfil do eleitor. Nestes termos o conflito da classe política com a opinião pública é inevitável.

Como a moral e os costumes conservadores não podem ser modificados em sua essência do dia para a noite a classe política acaba por atacar a opinião pública, forçando a Janela de Overton mover-se à esquerda. O assunto já foi tema de um artigo do jornalista Reinaldo Azevedo demonstrando como a opinião pública se desloca de um ponto para outro, ignorando o mérito da questão.

Esta percepção de margem de ação política é particularmente importante ao eleitor porque expõe o modus operandi de políticos profissionais. O caráter maquiavélico e manipulador está contido em pequenos atos, numa sutileza quase imperceptível ao observador não iniciado na Arte da Guerra Política.

Distorcer a concepção mesma de conceitos é a palavra chave aqui. Perverte-se o conceito em pauta na discussão pública para manobrar a sociedade de acordo com objetivos ocultos à primeira vista. E no jogo político são muitos os que se prestam a este papel sujo. Não por acaso este blog vem publicando uma série de artigos dedicados a denunciar a tentativa de acabar com a liberdade de expressão e limitar a atividade da imprensa. A lista completa dos artigos que tratam deste assunto está disponível ao fim deste artigo.

Talvez o exemplo que melhor traduz a tentativa de capitalizar sobre a opinião pública seja o pronunciamento presidencial que foi ao ar por ocasião das manifestações de 2013, um evento que ganhou projeção nacional e exigiu uma resposta do Palácio do Planalto ao que ficou conhecido como a “voz das ruas” e as “Jornadas de Junho”.

Vejamos como o malabarismo retórico se desenrola:

É desnecessário dizer que o povo foi às ruas para demonstrar a sua completa insatisfação com a ingerência do governo federal. No entanto, a opinião pública foi cooptada, tratada e manipulada de forma a catalisar toda a energia explosiva popular em dividendos políticos. O método para tanto consistia em:

  • Reinterpretar os protestos contra o governo como “força da democracia e o desejo de fazer o Brasil avançar”.
  • Justificar a ausência de uma agenda positiva opondo a ela “limitações de ordem políticas e econômicas”.

Em um só golpe o partido neutraliza a insatisfação popular e a recicla sob o signo de uma força motriz que pede um upgrade no padrão de qualidade nacional ao passo em que cola um rótulo de entrave burocrático em setores avessos à direção partidária. Que a corrupção generalizada e a completa incapacidade da gestão das contas públicas fosse responsabilidade exclusiva do atual governo era um mero detalhe que pôde ficar convenientemente de lado do debate público.

O Sr. Lula na ocasião também não deixou por menos e chegou a declarar em artigo assinado no New York Times que:

“As demonstrações de protesto são o resultado do sucesso social, econômico e político. […] É completamente natural que a juventude, especialmente aqueles que estão obtendo coisas que seus pais nunca tiveram, devam desejar ainda mais conquistas.”

Simplesmente não há palavras para descrever o cinismo deste canalha! Era absolutamente justo e compreensível que a população se revoltasse contra as obras da copa quando nenhum serviço público funciona adequadamente no Brasil. Que sucesso social, econômico e político é este, Sr. Lula?! Supor que toda uma população estivesse fingindo e que o único capaz de perceber o contrário fosse o ex-presidente seria inverter a ordem natural da percepção cognitiva e, por assim dizer, invalidar toda a noção da ciência psicológica. Não sendo o Sr. Luiz Inácio da Silva um louco resta-lhe o epíteto de desonesto intelectual.

Creio que neste ponto da argumentação a noção de deslocar o eixo do debate para mover a Janela de Overton para além dos limites da opinião pública já esteja claro o suficiente para os leitores. Deste modo podemos voltar nossa atenção para assuntos atuais: a insistência do PT e suas linhas auxiliares em censurar a mídia.

Durante as comemorações dos 35 anos do Partido dos Trabalhadores a presidente Dilma Rousseff declarou que:

“É preciso reagir aos boatos e travar a batalha da comunicação. Não podemos permitir que a falsa versão se firme. Nós temos que levar a nossa versão à opinião pública e dar exemplos.”

Ainda no mesmo evento o Sr. Rui Falcão, presidente nacional do partido declarou acerca do envolvimento de altos dirigentes do PT com o escândalo do Petrolão:

“Trata-se de uma tentativa de criminalização, uma coisa induzida, que vem sendo feita há muito tempo, com interesse de criminalizar o PT e os nossos dirigentes.”

Ou seja, para a mentalidade revolucionária apontar fatos que denotem corrupção sistêmica é uma tentativa ilegítima, segundo eles, de criminalizar o partido e, portanto, digna de iniciar uma batalha no campo da comunicação.

A coisa é tão psicótica que o PT chegou a editar uma cartilha de como se livrar de repórteres inoportunos! Adeus a transparência, pressuposto básico de toda civilização democrática. Em nome de uma agenda política o PT sugere que o acesso à informação seja cerceado para salvaguardar a imagem ética do partido.

Quando não se pode mais esconder a real face do partido é preciso mudar de estratégia e silenciar quem ouse apontar o óbvio: o PT é uma entidade criminosa forjada com o único propósito de pilhar o país.

Assim, é importante que em toda discussão pública o eleitor esteja atento ao mérito da questão. Que o mesmo seja dado ciência a todo cidadão: se o que está em debate não diz respeito ao assunto propriamente dito pode desconfiar de manipulação com fins políticos. Isto vale para o debate em torno da “Democratização dos Meios de Comunicação”. Por traz de um fundo republicano esconde-se uma ação nefasta de controle social. Para que a democracia prevaleça basta que ninguém interfira na atividade de imprensa, muito menos o governo.

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Nota:

Os artigos que expõem as formas sutis de barrar a atividade independente da imprensa sob máscaras de democráticas são:

Suavizando a demanda de censura da mídia

Com a ameaça do escândalo do Petrolão batendo à porta do Palácio do Planalto a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidente da Câmara dos Deputados no último domingo pode ser considerada uma derrota política do PT, que disputava o comando da casa legislativa com o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em um momento em que a presidente está isolada politicamente nada mais desolador do que entregar o controle da Câmara a um candidato que demonstra ter alguma independência da sigla, apesar da aliança entre PT-PMDB.

Essa derrota deu início a um processo de autocrítica dentro do partido expondo o caráter totalitário do PT. Não basta concorrer democraticamente, sabendo conviver com opiniões adversas e alternância de poder, é preciso ter o controle hegemônico dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário bem como de toda a mídia.

Vejam o que o filósofo Emir Sader, intelectual ligado ao PT, escreveu como justificativa à derrota política de Chinaglia no artigo intitulado Crônica de uma derrota anunciada:

“O clima histérico criado contra o PT, a Dilma, a esquerda, levou ao isolamento político, resultado de muitos erros, mas antes de tudo o de não haver avançado na democratização dos meios de comunicação, o que permitiu a campanha de ódio e o aprofundamento da criminalização da imagem do PT. (…) Política é a arte da construção de hegemonia. O verdadeiro nome da governabilidade é hegemonia. Esse objetivo tem que ser o norte do governo, do PT, da esquerda, se querem consolidar e avançar decisivamente, de forma irreversível no extraordinário processo de democratização social, econômica, política e cultural apenas iniciado. Não é mais possível seguir governando empiricamente, de conjuntura em conjuntura, sem uma visão estratégica do que se quer – que tipo de sociedade, que tipo de Estado, que tipo de Brasil.”
(grifos meus)

Ora, a definição mesma de hegemonia é incompatível com o conceito de democracia. Quem quer que peça por “democratização dos meios de comunicação” não pode pedir ao mesmo tempo por “hegemonia partidária”. Ou se respeita o contraditório ou se advoga por totalitarismo. Não dá para defender as duas coisas ao mesmo tempo, simples assim.

A julgar pela reação do partido à crítica é de se esperar que haja um esforço gigantesco para aprovar a lei de controle sutil da mídia, sob o ardil de “democratização dos meios de comunicação”.

É imperativo frisar que ainda que essas discussões se deem na esfera federal nada acontece no país que não tenha como caixa de ressonância a política local. Todos os partidos, sem exceção, fomentam localmente as diretrizes do diretório nacional. Aquilo que vem como uma determinação dos caciques partidários retorna em coro emulando ares de legitimidade, respaldado no suposto apoio da população local. Que este apoio popular local efetivamente exista já é outra história, mas nossos vereadores sempre irão colocar as ideias da alta cúpula do poder em circulação, em uma demonstração de servilismo e obediência ao partido.

Deste modo, não se combate esse tipo de censura apenas no âmbito federal. É urgente identificar e anular as forças locais que advogam em nome deste projeto criminoso de poder, expondo os agentes da ação política como aquilo que verdadeiramente são: gente intelectualmente desonesta.

No município de Campinas essa demanda por censura da mídia pôde ser mapeada em pelo menos dois vereadores. (Certamente esse número não fica só nisso, virtualmente todos os membros do PT, PSOL, PCdoB, PSTU, PCO aderem à causa).

A rotina de vender a censura de mídia como algo republicano é vergonhosamente defendida pelos vereadores Pedro Tourinho (PT) e Thiago Ferrari (PTB).

É claro que nenhum dos dois vereadores fala abertamente em censurar a atividade da imprensa, mas fazem uso de formas mais sofisticadas de defender tal imoralidade.

Enquanto Pedro Tourinho engendra pelo expediente do assassinato de reputações Thiago Ferrari defende que é preciso combater o ódio por meio de “campanhas de esclarecimento e disseminar ações afirmativas”.

Na prática, o que ambos querem é forçar o cidadão a se calar e aceitar o cenário político, seja pela via judicial, seja por um Estado policial de vigilância permanente da população. (Aos que não conhecem a obra de George Orwell, recomendo a leitura do clássico “1984”. O pesadelo de uma sociedade controlada pelo Estado com poderes de vigiar a vida privada já existe e é usado contra o cidadão!)

Nunca é demais relembrar o desonroso caso em que o vereador Thiago Ferrari entende como expressão máxima da normalidade que vândalos depredem a sede de um grupo de mídia enquanto um alto membro do PT diz, em rede nacional, que é legítimo tal ação porque a opinião que a revista em questão expressa é um lixo (ver detalhes aqui e aqui).

Mais ainda, segundo o vereador Thiago Ferrari não há no Brasil qualquer tentativa de censura da atividade de imprensa (ver comentário do mesmo aqui). Nada pode ser mais falso do que isso. Se houvesse um mínimo de honestidade nessa declaração Ferrari teria que admitir que a censura ocorre por vias indiretas, como denunciado no artigo Petrobras, BB e Caixa lideram gastos de publicidade para mídia alternativa do jornalista Fernando Rodrigues.

Em nome da liberdade de expressão é preciso que o cidadão de bem confronte e pressione os políticos que advogam por mais presença do Estado na vida privada, e isso começa desmascarando quem pede por “democratização dos meios de comunicação”.

Conselho ao vereador Thiago Ferrari

Se é verdade que todo poder emana do povo e que, os políticos, por assim dizer, são a representação mesma da vontade popular, então, de tempo em tempo, é preciso lembrá-los dessa conexão que liga o cidadão comum às altas esfera do poder.

Exercer pressão popular é um direito e dever de todo cidadão que não se enxerga representado pela classe política. Assim, aproveito o ensejo para dar um conselho ao vereador Thiago Ferrari que recentemente defendeu que é preciso combater o ódio por meio de “campanhas de esclarecimento e disseminar ações afirmativas”.

Caro vereador, não se combate o ódio atribuindo a culpa à abstrações como a sociedade de uma forma generalizada e esvaziada de sentido. A fim de responsabilizar a autoria de crimes de ódio é preciso identificar indivíduos, pessoas reais e que não podem se esconder sob o manto protetor da coletividade.

Dois exemplos são igualmente ilustrativos para a sua proposta de acabar com a disseminação de preconceitos no seio social.

O primeiro deles diz respeito a uma bandeira muito badalada hoje em dia: o combate à homofobia. Sem mais delongas, o flagrante deste delito é apresentado abaixo.

Edu_Goldenberg

Sendo o cantor Ney Matogrosso um crítico do governo PTista duvido muito que a militância LGBT (que mantém uma relação fisiológica com partidos de esquerda) irá processar o senhor Eduardo Goldenberg por crime de ódio e preconceito.

No entanto, se o foro da comarca do Rio de Janeiro (cidade aonde mora Goldenberg) não lhe for de fácil acesso sugiro que o nobre vereador exerça o seu dever cívico aqui mesmo em Campinas, local em que o segundo delito foi cometido.

O segundo caso tem como protagonista de crime contra a honra um conhecido seu, o também vereador Pedro Tourinho (PT). No ano passado o vereador-militante Pedro Tourinho usou de recursos públicos municipais para caluniar e difamar o deputado federal Jair Bolsonaro, sugerindo que ele é um estuprador de mulheres.

O flagrante deste delito, que tem coautoria dos vereadores Carlão do PT e Paulo Bufalo (PSOL) foi lavrado na moção 161/2014, cuja consequência política já foi debatida em outra oportunidade.

Espero que tais casos contribuam para que o senhor trate do tema sob outra perspectiva. Reitero que, caso o nobre vereador queira dar visibilidade das ações tomadas contra os flagrantes delitos aqui apresentados, este blog compromete-se em divulgar com transparência as medidas pelo senhor adotadas.

O relativismo moral PTista

O vereador Pedro Tourinho (PT) pode não ter lido Maquiavel, mas certamente segue a agenda do Novo Príncipe, o seu partido.

Em artigos anteriores o relativismo moral do vereador-militante Pedro Tourinho foi devassado, mas nada consegue ser tão baixo quanto o presente episódio de proporções maquiavélicas.

No fim do ano passado o vereador Pedro Tourinho mais uma vez uso indevido do seu cargo (que deveria servir exclusivamente à população de Campinas) para fazer militância política. O desprezo pela coisa pública é tamanho que o nobre vereador não hesitou em apresentar a moção 161/2014 que, pasmem, “Protesta contra o Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), pela violência dirigida à Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)”.

Ao apresentar tal moção Pedro Tourinho tenta vender a imagem de vítima de sua companheira de partido Maria do Rosário, sem, no entanto, dar a dimensão cronológica dos fatos. A gritaria em torno do episódio encobre um crime anterior de difamação (Art. 138 do Código Penal) cometido justamente pela PTista.

Em 2003 ocorreu um bate boca entre os deputados Jair Bolsonaro e Maria do Rosário em que ela o acusava de ser um estuprador justamente por… apresentar projeto de lei que endureciam as penas para os estupradores! Em resposta à provocação de Maria do Rosário (que é contrária a punição mais severa) Jair Bolsonaro disse que não era estuprador, mas que se o fosse não a estupraria porque ela não merecia.

O vídeo da grosseria mútua pode ser conferido aqui.

Se existe alguma vítima aqui esta é quem foi chamado de estuprador sem que as devidas provas fossem apresentadas. Trata-se, portanto, de um crime que atenta contra a honra, mas exigir do vereador-militante Pedro Tourinho tal distinção dos fatos seria negar-lhe a própria natureza PTista.

Para complicar ainda mais a questão é necessário questionar o vereador-militante o porquê é ofensivo quando Jair Bolsonaro diz “você não merece ser estuprada” se o mesmo não é considerado ofensivo quando a jornalista Nana Queiroz lança a campanha “eu não mereço ser estuprada”.

Mais ainda, quando o filósofo Paulo Ghiraldelli defendeu “MEUS VOTOS PARA 2014: que a Rachel Sherazedo [SIC] seja estuprada” não houve qualquer movimento de repúdio vindo de Pedro Tourinho. Muito pelo contrário, ele ainda apresentou uma moção acusando-a de incitar a violência! Essa excrescência política foi dissecada aqui.

Desde logo fica claro o duplo padrão de moralidade do vereador-militante Pedro Tourinho. Assim, fica evidente que Tourinho não está a serviço do povo de Campinas, mas atende aos interesses do seu partido, o Novo Príncipe, e a prova maior disso pode ser encontrada na obra de Maquiavel.

“Donde pode-se tirar uma regra geral que jamais ou raramente falha: aquele que promove o poder de um outro perde o seu, pois tanto a astúcia quanto a força com as quais fora ele conquistado parecerão suspeitas aos olhos do novo poderoso.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 19

“Portanto, não pode nem deve um soberano prudente cumprir as suas promessas quando um tal cumprimento ameaça voltar-se contra ele e quando se diluem as próprias razões que o levaram a prometer.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 86

É por isso que jamais veremos Pedro Tourinho confessando que Jair Bolsonaro é a real vítima de uma calúnia monstruosa. Reconhecer o valor moral de Bolsonaro é diminuir o poder do partido em exercício.

“…a natureza dos povos é mutável, e, se é fácil persuadi-los de algo, é difícil perpetuá-los nesta persuasão. Eis a razão da conveniência em instaurar-se uma ordem tal que, ao serem estes povos tomados pela descrença, possa-se fazê-los crer à força.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 29

A orientação do partido não poderia ser mais clara. Se alguém ousa apontar responsabilidades em relações espúrias a resposta virá pela censura.

Lembremos que no momento está em discussão a “democratização dos meios de comunicação”, um eufemismo para censura via controle financeiro (conferir o engodo aqui).

“…os príncipes que mais se destacaram pouco se preocuparam em honrar as suas promessas; que, além disso, eles souberam, com astúcia, ludibriar a opinião pública; e que, por fim, ainda lograram vantagens sobre aqueles que basearam as suas condutas na lealdade.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 85

Ora, políticos falam por meio de símbolos, imagens estas que evocam medo ou esperança e, ao vender o projeto como democratização dos meios de comunicação o governo sub-comunica ao eleitorado que ele mesmo é um legítimo representante da ordem republicana, bastando ao opositor o signo de totalitário, fascista, nazista etc. O embuste consiste justamente em chamar de democratização aquilo que não passa de censura sutil. Se o exemplo ainda não está suficientemente claro lembro aos leitores deste blog que a revista Veja teve seus anúncios estatais cancelados após denúncia de que Lula e Dilma sabiam dos desvios na Petrobrás e, antes disso, a jornalista Rachel Sheherazade foi proibida de emitir seus comentários sob pena do SBT ter os anúncios estatais retirados de circulação.

Diante do exposto o eleitor pode estar se perguntando se o vereador-militante não estaria muito aquém de suas atribuições. Ao invés de legislar para o bem da cidade ocupa-se de questões menores que interessam ao partido, apenas.

Tal afirmação seria particularmente verdadeira se raciocinássemos aristotelicamente, com foco em lógica, ética e respeito à oposição de idéias. Ocorre que Pedro Tourinho filiou-se ao PT justamente por não comprometer-se com os seus afazeres, mas por subverter a ordem em benefício do Novo Príncipe.

“Ora, um homem que de profissão queira fazer-se permanentemente bom não poderá evitar a sua ruína, cercado de tantos que bons não são. Assim, é necessário a um príncipe que deseja manter-se príncipe aprender a não usar [apenas] a bondade, praticando-a ou não de acordo com as injunções.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 75

“A um príncipe, portanto, não é necessário que de fato possua todas as sobreditas qualidades; é necessário, porém, e muito, que ele pareça possui-las. (…) Por isso, será preciso que ele possua uma natural disposição para transmudar-se segundo o exijam os cambiantes ventos da fortuna e das circunstâncias, e, como eu dizia acima, que, havendo a possibilidade, ele não se aparte do bem, mas que, havendo a necessidade, saiba valer-se do mal.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 87

Neste sentido o vereador-militante é extremamente competente no que faz. Com fala mansa e discurso inclusivo passa por aquilo que ele mesmo não é em essência:  um defensor da moralidade. Seu relativismo moral valida as teses do partido e oferece uma aura de renovação ao que está profundamente corrompido.

“Cada qual vê o que pareces ser; poucos têm o sentimento daquilo que de fato és; e estes poucos não ousam contrapor-se à opinião dos muitos, que contam, em sua defesa, com a majestade do Estado. (…) Em sendo assim, o príncipe deve fazer por onde alcançar e sustentar o seu poder: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos elogiados, e isto porque apenas às suas aparências e às suas consequências ater-se-á o vulgo, este vulgo cuja presença é predominante no mundo.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 88

Para que a fraude fosse completa a moção do vereador Pedro Tourinho não poderia ser mais ilustrativa se o conteúdo não fosse uma cópia de artigo veiculado pelo próprio partido no que concerne às mulheres.

“E considero o seguinte: que mais vale ser impetuoso que circunspecto, pois que a fortuna é mulher, e, para mantê-la submissa, é preciso batê-la e maltratá-la [sic]. Notamos que ela deixa-se melhor dominar por quem assim procede do que pelos que se portam com frialdade. Por esse motivo, como é mulher, ela é sempre amiga dos jovens: estes são menos judiciosos, mais aguerridos e mais audazes ao comandá-la.”

Nicoló di Bernardo dei Machiavelli, O Príncipe, trad. Antonio Caruccio-Caporale, L&PM, 2011 p. 124

Em tempo: endossam a moção os vereadores Carlão do PT e Paulo Bufalo (PSOL).